Por: Sâmia Rocha 

Muitas pessoas hoje em dia vivem em um mundo de deslumbramento (Ofuscação momentânea causado por uma luz muito forte, estado de encantamento). Elas se prendem mais ao estado aparente, sendo ofuscadas pela luz do status, das roupas, da performance ministerial do que propriamente da vida e frutos que emana por trás de uma roupagem que impressiona! Impressiona sim, os néscios, desligados, aqueles que vivem segundo a carne, porque aqueles que vivem segundo o espírito “discernem, entendem” todas as coisas. Como já dizia o Pastor Bud, os dons e unções não mostram o quão espiritual alguém é, mas sim a prática da Palavra e a manifestação dos frutos. Quer saber o que tem dentro de alguém, olhe para ela quando pressões se levantam, quando pisam nos seus calos ou sentam nas “suas” cadeiras de “honra”

Às vezes, são coisas tão ridículas, tão na cara, mas como vivemos em uma geração onde os conceitos e princípios estão muitos distorcidos, até mesmo dentro da igreja, vemos muitas pessoas com os olhos embaçados, impedidos de ver por trás das aparências. E sabe por quê? Porque para se “ver” é preciso fechar os olhos naturais e abrir os espirituais, e isso só é possível quando se vive uma vida “no espírito”, em comunhão com Deus e com a Sua Palavra.

Temos nos acostumados a apenas “RECEBER” e não “BUSCAR”. Temos sido mais “MESTRES” do que “DISCÍPULOS”, pessoas que não tem “gabarito”, “vida”, “experiência”, mas só porque sabem repetir a doutrina e tem páginas de livros decoradas, se colocam ou são colocadas em uma posição de ser referência de ensino para outras pessoas.

Como já dizia Jesus, cabe ao discípulo ser como o seu mestre. Que tipo de mestres temos sido, assim serão as pessoas que “sairão” de nós. Vemos uma geração tão sabida e pouco temente, onde vivem uma vida mais natural no seu dia a dia, na sua vida privada. São verdadeiros fracassos em honrar a pai e mãe, respeitar os mais velhos, ter educação, ser organizado e cumpridor dos seus compromissos e horários, honrar a sua própria palavra, mas dão um show na sua performance pública, como podemos achar que o nosso ensino está sendo eficaz e aquilo que realmente Deus quer falar através de nós para o Seu povo?

Eu sei que não somos responsáveis por fazer as pessoas praticarem o que ouvem, porque isso é uma decisão própria, mas somos responsáveis em treiná-las, exortá-las, ensiná-las naquilo que Deus requer de nós e não naquilo que as pessoas requerem de nós.

Vemos tantas ministrações apenas para satisfazer o público! E aquelas que confrontam a vida e o estado em que pessoas vivem, são tidas como grosseiras, extremistas e exageradas, com um falso pretexto de que não são ditas em amor. Desde quando amor é falar o que convém? É por causa desse conceito que a geração de hoje em dia é mimada, arrogante e egoísta! Calma, se você não é assim, não precisa ficar ofendido. Desde quando amar é medido pelo tom da voz? Às vezes, precisamos ouvir alto, porque estamos surdos por causa das nossas próprias filosofias bíblicas desalinhadas por causa do nosso ego e vontade própria.

Talvez você ache esse texto agressivo ou alguma coisa de outro mundo, e talvez ache isso porque lê na Bíblia apenas o que lhe convém. Desde a antiguidade já temos escrito na Bíblia o tipo de coisas que entrariam na Igreja. Afinal não foi o próprio Jesus que falou que teríamos joio no meio do trigo, ou Paulo que falou que haveriam pessoas que se cercariam de falsos mestres que ensinariam coisas apenas para fazer coceira nos ouvidos de quem ouve, ou seja, falar apenas o que é conveniente e não aquilo que é necessário?

Poderia citar muitas passagens que fala sobre a advertência de coisas que entrariam na Igreja para afastar as pessoas da sã doutrina, do temor, da consagração a Deus e de uma vida de obediência acima da sua própria vontade humana.

De que vale TER tantas coisas se não temos SIDO tantas coisas. E além do mais, estamos cheios de conhecimento, como a própria Palavra fala em 1 Coríntios 8.1, “que o conhecimento ensoberbece”, mas onde está a base de tudo? A FÉ e o AMOR!?

Com isso eu estou dizendo que ter o conhecimento da Palavra é errado? Não! De forma nenhuma, o próprio Jesus disse que devíamos conhecer a verdade, que essa mesma verdade nos libertaria! Só temos que entender que “essa verdade” do qual Ele fala não são as informações que recebemos em um culto ou aula, porque se fosse já estaríamos perfeitos devido à quantidade de Palavra que já sabemos.

Não! Esse conhecimento não está resumido apenas aquilo que você ouve, mas sim, naquilo que se torna vida dentro de nós por causa de um envolvimento que vai além do que só ouvir. Ouvir é a primeira porta para o seu coração, mas não é a última! A verdade tem que ser meditada, confessada e acolhida para poder gerar em nós a vida que está disponível nela.

Infelizmente a maioria pára apenas no ouvir, e, logo em seguida, se tornam papagaios repetidores, ops, mestres, ensinando aos outros aquilo que eles mesmos não sabem!

Quero deixar claro que quando falo de mestres, não falo apenas de pessoas que estão no púlpito, mas de todos aqueles que se colocam assim. Só porque falamos com firmeza, não quer dizer que temos convicção. Só porque temos roupas novas, não quer dizer que andamos em prosperidade e só porque falamos coisas da Palavra, não significa que a nossa motivação seja o amor aos nossos ouvintes e que aquela Palavra verdadeiramente está em nossos corações!

Então como vamos saber o que é verdadeiro? PELOS FRUTOS que produzimos, pela manifestação do caráter e natureza de Deus em nós!

“O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica. Quem pensa conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria. Mas quem ama a Deus, este é conhecido por Deus.” (I Coríntios 8.1-3)

Não estou aqui como juiz de ninguém, até porque antes de falar para os outros recebo também para mim, como advertência, como ter cuidado com as motivações e também como cura, porque precisamos entender que TODOS os dias devemos vigiar sobre aquilo que está dentro de nós que ninguém vê, mas que não está oculto aos olhos do Senhor e é por essas coisas que receberemos o nosso galardão e seremos julgados!